Pernambucano mobiliza artistas de 32 países em música que renova a esperança em época de pandemia

Preocupado com o isolamento social, o músico e comunicador pernambucano, Fábio Araújo, compôs a canção Hope Song (Canção da Esperança) para passar uma mensagem positiva nesse período de pandemia da covid-19. Com a música no papel, o recifense teve a ideia de procurar artistas de vários países, de todos os continentes, para gravar o clipe da sua música. Ele só conhecia dois músicos estrangeiros, um do Canadá e outro da Colômbia. Para passar o sentimento de união, de compartilhamento dos anseios, angústias e incertezas, sentimentos que as pessoas do mundo inteiro estavam vivenciando, consequência do surgimento do coronavírus, o músico recifense buscou a internet como aliada para conseguir mobilizar 32 músicos voluntários (contando com ele próprio) para gravar a canção.

Para alcançar o seu objetivo, Fábio Araújo fez contato pelas redes sociais com artistas de todo o mundo, para levar a mensagem de esperança em vários idiomas. Os artistas gravaram o clipe, cada um na sua casa, tarefa executada em 30 dias, com a ajuda do editor de vídeo, José Gomes e do editor de áudio, Gustavo Aragão, ambos pernambucanos. “Procurei os artistas um a um, mesmo sem conhecer, pelos vídeos que eles postavam no Instagram. Usava hashtags, a exemplo de #singer #guitarplayer, para identificar possíveis parceiros para o clipe. Esse trabalho foi difícil, porém muito gratificante”, relembra Fábio. Ele enfatiza que nem o desconhecimento dos artistas nem a barreira linguística o impediram de prosseguir com o seu projeto.

O clipe da música Hope Song foi gravado em sete idiomas: português, espanhol, inglês, italiano, chinês, árabe e kikongo. A iniciativa uniu tanto artistas, todos como o mesmo sentimento de alegrar a vida das pessoas, e também passar uma mensagem de paz, de esperança e de um futuro melhor.
“Com a pandemia, passei a refletir sobre a humanidade, que enfrentou duas grandes guerras e que, agora, enfrentava mais uma, desta vez diferente, um inimigo invisível. Senti a necessidade de compor uma música com a proposta de união entre os povos, uma canção que poderá ser ouvida a qualquer tempo para reforçar a paz mundial”, avalia Fábio Araújo.

Além do Brasil, participaram da canção artistas voluntários da Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela, Panamá, México, Estados Unidos, Canadá, Angola, Congo, Burquina Faso, Costa do Marfim, Espanha, Reino Unido, Itália, Suécia, Alemanha, Ucrânia, Rússia, Turquia, Irã, Emirados Árabes Unidos, Índia, China, Hong Kong, Taiwan, Japão, Malásia, Indonésia, Austrália e Nova Zelândia.

A canção pode ser conferida aqui:

Sentimentos de Quarentena. Marcelo Kozmhinsky

“Sempre fui uma pessoa tímida e fechada, apesar de ter mudado de comportamento nos últimos anos em função do convívio familiar e da atividade profissional. Sou recifense, engenheiro agrônomo e paisagista, atividades que me fazem sorrir, estar feliz e de bem com a vida, e é assim que procuro me relacionar com a minha família, amigos e clientes. Acho a natureza fascinante.

Nesse período de isolamento, me deparei com um novo ritmo: padaria, farmácia e supermercado. Minha vida se restringiu ao confinamento com minha esposa e filho em nosso lar. Digo lar, porque o convívio tem sido de amor, harmonia, respeito e solidariedade. Não tem sido fácil para ninguém viver isolado socialmente, apesar das redes sociais que nos fazem interagir virtualmente com parentes e amigos.

E ainda cuidar da sobrevivência, com muitos momentos de angústia pelas incertezas do tempo, das possibilidades e impossibilidades e da crise que assola o país e o mundo.

Com o passar dos dias descobri novas necessidades e habilidades; transformei-me num homem doméstico: preparar comida, cuidar da casa e outras tarefas que antes eram feitas por uma funcionária que vinha todos os dias e zelava tudo por nós.

Atividades fazem os dias de impaciência passarem mais rápidos e serem produtivos.

De novidade, tenho a satisfação de cozinhar com carinho para a família, fazendo algo diferente e especial. De antigo, o amor pelas plantas que cultivo. São a minha terapia ocupacional e meu lazer, além do trabalho na nossa empresa de paisagismo. Aproveitei esse tempo para gravar e disponibilizar dicas de como cuidar das plantas no período de quarentena, com os recursos que temos em mãos. Está disponível no Instagram da @mkzpaisagismo.

O ato de cuidar me ajuda a ser uma pessoa melhor. Existem pessoas que gostam de criar animais, eu curto tratar de plantas. Isso proporciona um bem-estar fantástico e momentos de alegria e afeto.

A convivência social é essencial para o ser humano e isso vai voltar em breve. Todos necessitam de carinho e atenção. Sentimos falta do aperto de mão, do abraço do amigo(a), do irmão(ã), do desconhecido(a). Viver em sociedade significa interagir, amar, dar e receber afeto, tomar conta. É assim desde o instante em que nascemos.

Creio que a humanidade vai tirar muitas lições desse período. Vamos mudar costumes, ideias, prioridades e mais do que nunca vamos precisar enxergar o outro; sermos mais solidários e entendermos que também precisamos do outro. Novas condutas saudáveis para a vida em sociedade”.

Marcelo Kozmhinsky e suas plantas, o Recife e o mar.

Sentimentos de quarentena. Rogerman

“Começo a crer que a crise do corona vírus provocará grandes mudanças no comportamento social. As maiores dos últimos tempos.

Primeiro, por nos lembrar quão frágil somos e geralmente esse tipo de experiência resgata nas pessoas o sentido de brevidade, que o estilo de vida moderno é eficaz em nos fazer esquecer.

Segundo, recupera o senso de comunidade que estava completamente perdido. O individualismo crescente foi sacodido com a necessidade do trabalho em grupo, da mobilização coletiva para um bem comum. O povo se viu unido pela ameaça de um agente externo, invisível e sem anticorpos para frear seu avanço.

Temos que tirar um grande aprendizado dessa crise. Em um país onde a pobreza e vulnerabilidade de grande parcela da sua população é evidente, o Estado tem que ser presente, atuante, eficaz. Políticas sociais evitam ou atenuam muito crises como a que vivemos, elevam o gasto da população no comércio, gerando um ciclo virtuoso onde todos ganham”

O que a quarentena mudou em você?

“Me fez pensar melhor”.

Rogerman é compositor e cantor.
📸 @mirthys_bezerra

Sentimentos de quarentena. Maristela Beltrão

“Era 18 de março quando Edgard pediu para que eu escrevesse sobre o impacto da quarentena na minha vida. Fazia apenas uma semana que eu estava em casa e isso não era novidade para mim e foi sobre o que escrevi.

Já faz tempo que optei por uma vida mais reclusa e porque moro só e trabalho em casa, descobri que gosto muito de conviver comigo e que tenho muito prazer na solidão. Ok. Agora, mais de dois meses depois, confesso que não me desesperei, mas tive momentos de grande tristeza, angústia e choro. Sim, muito choro e depois passou. Procurei meio que criar uma rotina de leitura, caminhadas no estacionamento do prédio, estudo, de falar com meu filho e família por telefone e fazer vídeos com amigos – às vezes rola até caipiroska.                            

Esse pode não ser o melhor momento da vida, mas acho que seja um bom momento para exercer a generosidade, aprender a dividir, investir no autoconhecimento. Organizar gavetas e a cabeça. Deixar a casa cheirosa e linda. Também acho que seja um bom momento para descobrir quem faz falta e quem sente a sua falta.

Pensando bem, não está sendo tão ruim como parecia ser. E no mais, vamos ficar em casa com a certeza de que vai passar”.

Maristela Beltrão é fotógrafa, editora da Revista Club e terapeuta de perdas e luto.